Pesquisa detecta perdas visuais em frentistas de postos de gasolina

Agência FAPESP – Os frentistas de postos de combustível podem estar com a visão em risco pela exposição aos solventes existentes na gasolina. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) observou perdas visuais significativas – principalmente relacionadas à capacidade de discriminar cores – em um grupo de 25 trabalhadores. Eles foram avaliados por meio de uma nova metodologia capaz de detectar problemas que passam despercebidos em exames oftalmológicos convencionais. Quem realizou o estudo? O estudo foi realizado no âmbito de um Projeto Temático coordenado pela professora Dora Selma Fix Ventura, do Instituto de Psicologia da USP. “Avaliamos a capacidade de discriminar cores e contrastes e fazemos medidas de campo visual por meio de testes psicofísicos computadorizados. A atividade elétrica da retina também é medida com um exame não invasivo, o eletrorretinograma, que consiste na colocação de um eletrodo no olho para medir a resposta elétrica da retina a um determinado estímulo visual”, contou Ventura. Testes com pacientes Os testes também já foram aplicados em pacientes que sofreram exposição ao mercúrio e em portadores de doenças como diabetes, glaucoma, Parkinson, esclerose múltipla, autismo, distrofia muscular de Duchenne e neuropatia óptica hereditária de Leber – uma patologia genética que costuma causar perda súbita de visão. A pesquisa com o grupo de frentistas da capital foi realizada durante o mestrado de Thiago Leiros Costa, bolsista da FAPESP, e os resultados foram publicados na revista PLoS One. “Esses trabalhadores têm contato diário com solventes da gasolina, como benzeno, tolueno e xileno, e não há um controle normativo forte. Há estudos que estabelecem limites de segurança para a exposição a solventes, mas de forma isolada. Não há parâmetros de segurança para a exposição à mistura de substâncias presentes na gasolina e praticamente ninguém faz uso de equipamentos de proteção individual”, disse Costa. Os voluntários passaram por exames oftalmológicos que descartaram qualquer alteração estrutural na córnea, no cristalino ou no fundo do olho. Ainda assim, o desempenho dos frentistas nos testes psicofísicos foi significativamente inferior quando comparado ao do grupo controle. A hipótese dos pesquisadores é que o impacto na visão seja decorrente do dano neurológico causado pelas substâncias tóxicas do combustível, absorvidas principalmente pelas mucosas da boca e do nariz. “Encontramos alterações em todos os testes de visão de cores e de contrastes. Foi uma perda difusa de sensibilidade visual e isso sugere que foram afetados diferentes níveis de processamento do córtex visual”, contou Costa. Em quatro dos frentistas testados, a perda de sensibilidade para cores foi tão significativa que os pesquisadores precisaram realizar um exame genético para descartar a possibilidade de daltonismo congênito. “Todos os voluntários trabalhavam em postos controlados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) e, em princípio, deveriam estar de acordo com as normas de segurança. Isso sugere que, atualmente, o trabalho de frentista não é tão seguro quanto o proposto. Se os solventes estão de fato afetando o cérebro, não é apenas a visão que está sendo comprometida”, avaliou Costa. O pesquisador destacou ainda outras categorias de trabalhadores que podem sofrer perdas visuais pela exposição crônica a solventes orgânicos, como funcionários da indústria gráfica e de tintas. Mercúrio A investigação conduzida por Costa foi um desdobramento de um trabalho anterior feito com trabalhadores expostos ao mercúrio durante o mestrado de Mirella Telles Salgueiro Barboni, também com Bolsa da FAPESP. “Existe um grupo de pacientes acompanhado no Hospital das Clínicas da USP que sofreu exposição ocupacional ao vapor de mercúrio, a maioria em fábricas de lâmpadas fluorescentes. Eles apresentam diversos prejuízos neuropsicológicos e problemas de memória e atenção. Nós queríamos saber se a visão também havia sido afetada”, contou Barboni. Estudos anteriores feitos no Japão, disse a pesquisadora, haviam mostrado que a intoxicação por mercúrio pode causar uma constrição no campo visual, ou seja, diminuir a visão periférica. O grupo da USP decidiu então usar a nova metodologia para descobrir se poderia haver danos também na região central da retina. “Apresentávamos pequenos discos de luz cada vez mais fracos sobre um fundo iluminado. Queríamos medir qual era a menor intensidade de luz que o voluntário conseguia enxergar nas diferentes regiões do campo visual. Em seguida, fazíamos o eletrorretinograma”, contou Barboni. Os resultados mostraram que a visão central também estava bastante prejudicada no grupo de 35 pacientes estudados. Segundo a pesquisadora, todos tiveram desempenho significativamente inferior ao do grupo controle em todos os testes. “Com base nos resultados do grupo controle, composto por pessoas saudáveis, nós criamos faixas de normalidade. Nas regiões mais periféricas do campo visual, 71% dos expostos ao mercúrio tiveram resultado abaixo do limite inferior normal, ou seja, de cada dez voluntários, sete não tinham nem sequer o pior desempenho do grupo controle. Na região central, o índice ficou em torno de 25%”, explicou a pesquisadora. Os resultados da pesquisa foram divulgados em artigo publicado na revista Environmental Research. A visão de cores e de contrastes foi avaliada durante os projetos de mestrado de Claudia Feitosa-Santana e Marcos Lago, respectivamente, que também observaram perdas significativas. “Se considerarmos os vários parâmetros da nossa imagem visual – cor, discriminação de bordas, de contrastes de claro escuro ou de cores –, todos estavam prejudicados nos pacientes expostos ao mercúrio. A imagem para esses sujeitos não é a mesma que para uma pessoa não contaminada”, disse Barboni. No entanto, todos os 35 pacientes foram considerados normais do ponto de vista clínico oftalmológico e apenas aqueles com os piores resultados apresentavam alguma queixa visual prévia. “Acreditamos que, ao longo de 10 ou 15 anos de exposição, a perda foi acontecendo de forma gradativa e o organismo foi se acostumando”, disse Barboni. Retinopatia diabética O mesmo foi observado no grupo de voluntários diabéticos avaliados durante o mestrado e o doutorado de Mirella Gualtieri – ambos com Bolsa da FAPESP. “Avaliamos cerca de 40 diabéticos que estavam com a doença sob controle e sem qualquer diagnóstico de problema oftalmológico. Era aquele tipo de paciente que deixa o médico feliz, achando que sua visão está normal, mas, ao medir a visão de cores, de contraste e
Mulheres na menopausa precisam estar atentas à saúde ocular

A atenção dada à saúde ocular deve ser intensificada quando a mulher se aproxima da menopausa, uma vez que esse período é marcado por intensas alterações hormonais. Além dos sintomas mais comuns atribuídos a essa fase da vida, como as ondas de calor, insônia, mudanças de humor e diminuição da libido, podem ocorrer outros problemas que merecem atenção, tais como os problemas oculares. Durante o climatério A fase que envolve a pré-menopausa e pode se estender até um ano após a menopausa, a mulher pode desenvolver problemas oculares como a síndrome do olho seco, que tem como sintomas a visão nebulosa, sensibilidade extrema à luz e coceira nos olhos. De acordo a oftalmologista Kátia Mello, isso ocorre devido às mudanças hormonais que alteram o filme lacrimal. A situação pode ser minimizada com o uso de colírios, sempre receitados por oftalmologistas. Além da síndrome do olho seco Outros problemas podem afetar essas mulheres, como a catarata, o glaucoma, “vista cansada” e a presbiopia (dificuldade de foco para perto) que podem surgir ou serem agravados pelas alterações hormonais. Mulheres que passam por uma menopausa precoce, antes dos 40 anos, devem ficar ainda mais atentas à sua saúde ocular, pois, segundo Kátia Mello, quanto mais cedo uma mulher chega ao fim de sua vida reprodutiva, maiores são as chances de ela desenvolver doenças oculares. Autor: Esteio ComunicaçãoFonte: Boa Saúde
Você sabe o que é a fixação visual?

Você sabe o que é a fixação visual, porquê ela é importante e como podemos favorecer seu desenvolvimento? A mácula é uma área situada no centro da retina responsável pela visão nítida. No centro dela encontra-se a fóvea, a região do olho encarregada de proporcionar a máxima Acuidade Visual. Por tanto, sempre que queremos ver um objeto com a maior resolução possível colocamos nossa fóvea em direção a ele. Esse fenômeno é chamado de reflexo de fixação e se caracteriza por ser monocular devido a que se desenvolve em cada um dos olhos por separado. A fixação é a PRIMEIRA habilidade visual a ser aprendida após o nascimento e através dela e junto ao amadurecimento das células da mácula desenvolve a visão dos detalhes, a acomodação, a oculomotricidade e a visão binocular e é essencial para a sustentação da atenção visual. A fixação é um reflexo sensorial-motor que se inicia a partir da primeira semana de vida e se estrutura até o terceiro mês após o nascimento. Porém, quando é que o bebê pratica essa habilidade visual monocular para aprendê-la? Na minha opinião é durante a amamentação. Se observamos um bebê mamando veremos que com frequência um dos olhos fica “livre” para ser estimulado e que o outro fica praticamente ocluido. Nesse momento, o olho “livre” tem a oportunidade de treinar a fixação com o rosto da mãe, com pintas da pele, brincos, colares, ou estampas das roupas. Essa “oclusão” de um dos olhos acontece em quase todas as posições utilizadas para amamentar e principalmente durante os primeiros 3 meses de vida. Depois desse tempo e à medida que o bebê melhora o controle da cabeça e do tronco, poderemos observar que durante a amamentação ele consegue posicionar a cabeça de forma que os dois olhos ficam “livres” para serem estimulados e treinar sua coordenação. Então #ficaadica: Se seu filho/a está sendo alimentado com mamadeira, troque, em cada mamada, o lado de apoio do bebê. Isso favorecerá que a fixação se desenvolva com a mesma qualidade nos dois olhos e ajudará no correto aprendizado do resto de habilidades visuais. Marta Bascompte GrauOptometrista ComportamentalEspecialista em desenvolvimento infantilDiretora clínica do Instituto Thea
Quando fazer Exame Vista?

A frequência do exame de vista depende da idade e dos riscos. Adultos sem problemas devem fazer exames a cada 1-2 anos, enquanto idosos e pessoas com diabetes, hipertensão ou histórico familiar de doenças oculares devem ir anualmente. Frequência recomendada por idade A frequência do exame de vista depende da idade e dos riscos exame de vista
#OptometriaUnida: Profissionais se mobilizam por reconhecimento e respeito à saúde visual
A optometria tem ganhado voz no Brasil – e agora, também força. A campanha nacional #OptometriaUnida marca um momento histórico para a categoria. Lançada em parceria entre conselhos regionais de óptica e optometria de todo o país, a mobilização quer dar visibilidade à atuação dos optometristas e garantir respeito à sua atuação legal, técnica e ética no cuidado primário da saúde visual da população. A movimentação acontece em meio à repercussão do trágico assassinato do optometrista Marcelo de Souza Nogueira, em Itapetininga (SP), no fim de outubro. Marcelo era conhecido por seu compromisso com a profissão e pela atuação firme na defesa da optometria como ciência autônoma. Sua morte foi um duro golpe para a categoria, mas também um chamado à união. “Do luto à luta”: é com esse espírito que nasce a #OptometriaUnida. 👁️ O que faz um optometrista? O optometrista é o profissional formado para atuar na avaliação da função visual de forma não invasiva. Ele realiza exames, identifica erros de refração (como miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia), prescreve óculos e lentes de contato, e encaminha casos suspeitos de doenças oftalmológicas para atendimento médico especializado. Em países como Reino Unido, Canadá, EUA e Colômbia, a optometria já integra os sistemas públicos de saúde, com resultados comprovados no acesso visual, economia pública e prevenção de agravos. 📣 Por que a campanha #OptometriaUnida? Além de homenagear Marcelo Nogueira, a campanha: Combate a desinformação e o preconceito institucional; Reivindica o respeito à categoria e o direito de exercer a profissão com segurança jurídica e dignidade. Lança luz sobre a importância da profissão para o SUS; Reforça que optometristas são formados em curso superior e têm respaldo legal para atuar; ⚖️ O que diz a legislação? A atuação dos optometristas de nível superior foi reconhecida em definitivo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que ao julgar a ADPF 131, reconheceu a legalidade na prescrição de óculos e lentes de contato por estes profissionais. A Anvisa, por sua vez, reforçou esse entendimento em duas Notas Técnicas: “A decisão do STF tem caráter imperativo, válida em todo o território nacional, com eficácia imediata, e as vedações dos decretos não se aplicam aos profissionais optometristas qualificados por instituição de ensino superior” Leia os documentos da ANVISA clicando aqui 📅 Ato em Brasília – 5 de novembro Como parte da mobilização, está sendo organizado um Ato Nacional em Brasília, no dia 5 de novembro, com a presença de profissionais de diferentes regiões. A ação reforça o pedido por: Reconhecimento e visibilidade; Respeito institucional; Abertura de diálogo com autoridades públicas; Inclusão plena da optometria nas políticas públicas de saúde visual. 💬 Como participar? 📲 Use a hashtag #OptometriaUnida 🎥 Grave um vídeo dizendo: “Eu sou optometrista. Eu cuido da visão. Mereço respeito.” 📣 Compartilhe conteúdos e convide colegas de outras áreas para conhecer e apoiar a profissão ✉️ Receba notícias da campanha Inscreva-se em nossa newsletter e acompanhe tudo sobre a mobilização da optometria no Brasil. 👉 INSCREVA-SE CLICANDO AQUI O Brasil precisa enxergar a optometria como parte da solução – não do problema A categoria está unida, preparada e juridicamente respaldada para contribuir com a saúde visual de milhões de brasileiros. #OptometriaUnida é mais que um lema. É um movimento por justiça, visibilidade e respeito.
Optometria no SUS: solução para ampliar o acesso à saúde visual
A optometria no SUS tem ganhado cada vez mais espaço no debate público como alternativa viável, segura e eficaz para ampliar o acesso à saúde visual no Brasil. O optometrista destaca-se por seu papel na atenção primária e na triagem de casos que necessitam de encaminhamento adequado. Mas afinal, como a atuação desse profissional pode contribuir para melhorar o SUS e beneficiar milhões de brasileiros? O que faz um optometrista? O optometrista é o profissional da saúde visual responsável por identificar, avaliar e corrigir disfunções visuais de origem não patológica, como miopia, astigmatismo, presbiopia e hipermetropia. Ele realiza exames não invasivos, prescreve lentes corretivas e encaminha pacientes com suspeitas de patologias para avaliação médica especializada. Alguns profissionais com especializações ainda podem aplicar terapias visuais e adaptar próteses oculares e lentes de contato. Na prática, isso significa que grande parte das queixas visuais da população pode ser solucionada já na atenção primária — sem necessidade imediata de consulta com oftalmologista. Qual o impacto da optometria no SUS? Incluir a optometria no SUS traria uma série de benefícios diretos: Desafogo nas filas: Com triagens feitas por optometristas, casos mais simples seriam resolvidos rapidamente, liberando espaço para atendimentos mais complexos pelos oftalmologistas. Acesso facilitado: Em muitas regiões do Brasil, não há cobertura médica oftalmológica suficiente. A presença de optometristas nos postos de saúde preencheria essa lacuna. Redução de custos públicos: Ao resolver até 80% das queixas visuais com atendimento primário, o SUS economizaria recursos com consultas e exames especializados desnecessários. Melhora na qualidade de vida: Corrigir erros refrativos de forma rápida melhora desempenho escolar, produtividade e bem-estar da população. O que diz a Organização Mundial da Saúde? A OMS reconhece a optometria como componente essencial da atenção primária à saúde visual. Em diversos países – como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Colômbia – o optometrista já atua de forma integrada ao sistema público de saúde, com autonomia para prescrever correções ópticas e realizar triagens visuais. No Brasil, embora o curso superior em optometria já seja juridicamente reconhecido, a atuação ainda enfrenta obstáculos regulatórios. Avançar nesse debate é fundamental para garantir o direito à saúde visual da população. CROOSP defende a inclusão da optometria no SUS O Conselho Regional de Óptica e Optometria do Estado de São Paulo (CROOSP) atua há anos na defesa da regulamentação e valorização da profissão, promovendo capacitação, segurança jurídica e apoio aos profissionais filiados. A inclusão da optometria no SUS está alinhada com a missão do CROOSP: elevar a qualidade da saúde visual no Brasil e garantir o acesso maior da população a cuidados primários eficientes. “A parte população não tem acesso a saúde visual e muitos podem descobrir problemas de visão tardiamente. Com a Optometria no SUS poderíamos mudar esse cenário!”, defende Daniela Iamamoto, presidente do CROOSP. O que falta para isso acontecer? Ainda são necessários: Reconhecimento legal e normativo, permitindo que optometristas atuem no SUS em todo o território nacional; Campanhas de conscientização sobre o papel e os limites da atuação optométrica; Articulação entre conselhos profissionais, gestores públicos e sociedade civil. A proposta não é substituir o trabalho do oftalmologista, mas integrar saberes e ampliar o acesso à saúde visual. Conclusão: optometria no SUS é urgência, não tendência A inclusão da optometria no SUS é uma proposta viável, baseada em evidências e já consolidada em diversos países. Sua implementação pode representar um salto de qualidade no cuidado visual dos brasileiros, especialmente os mais vulneráveis. Investir em saúde visual é investir em educação, produtividade e bem-estar. E a optometria no SUS é uma chave para isso.
Após tragédia, profissionais pedem respeito e reconhecimento à Optometria
A morte violenta do optometrista Marcelo de Souza Nogueira, ocorrida no interior de São Paulo, chocou a comunidade da saúde visual e gerou ampla repercussão. Marcelo era um profissional reconhecido por sua ética, cordialidade e, sobretudo, pelo seu engajamento na valorização da Optometria como área essencial da saúde pública. Diante do episódio, o Conselho Regional de Óptica e Optometria do Estado de São Paulo (CROOSP) expressou seu luto e indignação por meio de nota oficial (abaixo, na íntegra) e aproveitou o momento para reafirmar o compromisso com a categoria, com a verdade e com o exercício legal da profissão. Para simbolizar essa união e ampliar a visibilidade institucional, foi lançada a hashtag #OptometriaUnida, que será adotada por conselhos regionais e profissionais de todo o Brasil. A campanha reúne conteúdos educativos e mensagens de conscientização sobre o papel da optometria no cuidado da saúde visual. Além disso, o CROOSP participará ativamente do Ato Nacional pela Optometria, marcado para o dia 5 de novembro, em Brasília, reunindo conselhos regionais, representantes e apoiadores da causa. A manifestação é um chamado à sociedade para reconhecer a legitimidade da atuação do profissional optometrista, mas também uma resposta institucional a essa tragédia. O optometrista é formado e legalmente respaldado para atuar na atenção primária à saúde visual, com foco na prevenção e na correção óptica. “A perseguição que Marcelo enfrentou não foi um caso isolado. Muitos optometristas ainda lidam com desinformação, conflitos de interesse e resistência institucional, mesmo amparados por decisões do Supremo Tribunal Federal. O que pedimos é respeito, regulamentação e segurança para exercer uma profissão que contribui com milhares de brasileiros diariamente”, afirma a direção do CROOSP. 📎 NOTA DE POSICIONAMENTO DO CROOSP NOTA OFICIAL É com profunda tristeza e enorme indignação que o Conselho Regional de Óptica e Optometria do Estado de São Paulo manifesta seu pesar, diante da trágica notícia do homicídio do optometrista Marcelo de Souza Nogueira, crime que, segundo as informações veiculadas, teria sido cometido por um médico oftalmologista. Ao longo dos últimos três anos, nossa entidade prestou irrestrito amparo ao Sr. Marcelo de Souza Nogueira, que, mesmo após o julgamento da ADPF nº 131 pelo Supremo Tribunal Federal, consolidando a competência dos optometristas de nível superior para prescrever óculos e lentes de contato, continuou sendo alvo de perseguições reiteradas, perpetradas por determinados grupos médicos, empenhados em restringir o livre exercício de sua atividade profissional. Foram diversas as denúncias infundadas, formuladas pelo suposto autor do crime, imputando ao optometrista a prática de exercício ilegal da medicina, perante a Polícia Civil, a Vigilância Sanitária e o Poder Judiciário – todas devidamente refutadas em favor de Marcelo. Inclusive, em razão da insistência persecutória, o CROOSP chegou a notificá-lo formalmente, para que cessasse imediatamente todos os atos de calúnia e difamação contra nosso filiado. Jamais poderíamos imaginar que a intolerância, a ganância e a ignorância pudessem atingir o extremo que agora lamentamos. Tal episódio, embora aparentemente isolado, evidencia, de forma contundente, uma realidade dolorosa: a mentira mata! O fomento deliberado à desinformação e o descumprimento reiterado de decisões da Suprema Corte produzem efeitos concretos e devastadores na vida de cidadãos que apenas buscam exercer, de modo digno e legítimo, sua vocação. A dor e a revolta que nos assolam não deixam margem de dúvidas quanto aos responsáveis morais por tamanha barbárie: entidades representativas de segmentos da oftalmologia que, de modo sistemático, vêm promovendo campanhas de desinformação e hostilidade institucional, incitando a incompreensão sobre os limites de atuação dos optometristas de nível superior. Neste momento, de profundo luto e consternação, o Conselho Regional de Óptica e Optometria do Estado de São Paulo expressa suas mais sinceras condolências à família, aos amigos e a toda categoria, reafirmando seu compromisso inabalável com a verdade, a justiça e a dignidade profissional!
Quais são os erros de refração ocular?
Os erros de refração ocular são alterações visuais que ocorrem quando a luz que entra no olho não é corretamente focalizada na retina. Esse processo, chamado de refração ocular, envolve a curvatura da córnea e do cristalino, estruturas responsáveis por direcionar os raios de luz. Quando há desequilíbrio nesse sistema, surgem disfunções visuais como miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia. Saber o que é refração ocular ajuda a entender por que essas alterações impactam tanto a nitidez da visão. Felizmente, há formas eficazes de corrigir esses problemas, como o uso de lentes corretivas, que devolvem a clareza visual e melhoram a qualidade de vida. Quais são os principais erros de refração? Existem quatro tipos mais comuns de erros de refração ocular: 1. Miopia A miopia é caracterizada pela dificuldade em enxergar objetos distantes. Isso ocorre quando o globo ocular é mais longo do que o normal ou a curvatura da córnea é muito acentuada, fazendo com que a imagem se forme antes da retina. Algumas soluções para miopia: óculos com lentes divergentes e lentes de contato. 2. Hipermetropia A hipermetropia é o oposto da miopia: a pessoa vê bem de longe, mas tem dificuldade para ver de perto. A imagem se forma atrás da retina, geralmente porque o globo ocular é mais curto ou a córnea é pouco curva. Algumas soluções para hipermetropia: óculos com lentes convergentes e lentes de contato. 3. Astigmatismo O astigmatismo ocorre quando a córnea tem uma curvatura irregular, fazendo com que a luz se disperse em diferentes pontos da retina. O resultado é uma visão distorcida ou embaçada, tanto de perto quanto de longe. Algumas soluções para astigmatismo: óculos com lentes cilíndricas e lentes de contato tóricas. 4. Presbiopia Também conhecida como “vista cansada”, a presbiopia é um erro de refração associado ao envelhecimento natural do sistema acomodativo principalmente do cristalino. A dificuldade aparece na leitura ou visualização de objetos próximos, geralmente após os 40 anos. Algumas soluções para presbiopia: óculos para perto, lentes multifocais, bifocais e alguns tipos de lentes de contato. Como identificar e tratar os erros de refração? O diagnóstico dos erros de refração é feito por meio de um exame optométrico completo. Entre os principais procedimentos estão: Exame de acuidade visual (com tabela de Snellen); Exame de retinoscopia; Teste de refração com uso de caixa de prova ou refrator; Exames complementares, como ceratometria, se necessário. Após a identificação, o profissional optometrista pode prescrever lentes corretivas (óculos ou lentes de contato). Importante: a prescrição correta das lentes é fundamental para garantir conforto visual, evitar dores de cabeça e melhorar o desempenho em atividades do dia a dia. Qual o papel da optometria na correção visual? O optometrista é o profissional habilitado para identificar erros de refração e indicar a melhor solução para cada caso, seja com lentes corretivas, exercícios visuais ou até encaminhamento médico, quando necessário. Seu trabalho é essencial na promoção da saúde visual da população. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o atendimento optométrico primário pode resolver até 80% das queixas visuais da população. Por isso, é fundamental contar com profissionais capacitados e atuantes em todo o território nacional. Quando procurar ajuda? Alguns sinais de que é hora de procurar um optometrista: Visão embaçada ou desfocada; Dificuldade para ler de perto ou ver de longe; Dor de cabeça frequente; Fadiga ocular; Necessidade de apertar os olhos para enxergar. Cuide da sua visão com atenção e regularidade. Consultas periódicas podem prevenir complicações e garantir uma vida com mais nitidez.
O que é optometria comportamental?
A visão é muito mais do que enxergar com nitidez. Ela envolve interpretação, movimento, foco, atenção e integração com outras funções cerebrais. A optometria comportamental parte dessa compreensão mais ampla do sistema visual e propõe uma abordagem que vai além da simples correção óptica. Neste artigo, você vai entender o que é optometria comportamental e como ela se diferencia da optometria tradicional. Entendendo a optometria comportamental A optometria comportamental é uma vertente da optometria que considera a visão como um processo dinâmico e integrado ao comportamento e ao desenvolvimento global do indivíduo. Diferente da optometria tradicional, que foca na acuidade visual e na correção de erros refrativos (como miopia, hipermetropia e astigmatismo), a abordagem comportamental avalia como a pessoa usa a visão no dia a dia, incluindo em atividades como leitura, escrita, coordenação motora, atenção e percepção espacial. Em outras palavras, o profissional que atua com optometria comportamental não apenas analisa se o paciente enxerga bem, mas também como ele processa e utiliza a informação visual. Essa abordagem é especialmente relevante em crianças em idade escolar, pessoas com dificuldades de aprendizagem, atletas de alto desempenho e indivíduos que sofreram traumas neurológicos. Diferenças entre optometria tradicional e comportamental Aspecto Optometria Tradicional Optometria Comportamental Foco principal Clareza da visão e prescrição de lentes Comportamento visual e integração neurovisual Abordagem Correção de erros refrativos Observação da função visual como um todo Técnicas utilizadas Lentes corretivas, exames básicos Terapia visual, exercícios, análise funcional Aplicações comuns Miopia, astigmatismo, presbiopia Dificuldades escolares, problemas de leitura, déficit de atenção, traumas neurológicos Benefícios da optometria comportamental A optometria comportamental pode trazer melhorias significativas em diversas áreas da vida do paciente, especialmente quando há queixas que não se explicam apenas por problemas refrativos. Entre os principais benefícios, destacam-se: Melhoria do desempenho escolar: muitas dificuldades de aprendizagem estão relacionadas a disfunções visuais não diagnosticadas, como má coordenação olho-mão, dificuldades de rastreamento ocular ou foco instável. Aumento da concentração e atenção visual: pacientes com déficit de atenção ou que se distraem facilmente durante atividades visuais podem se beneficiar da reeducação visual. Desenvolvimento da coordenação motora: ao melhorar a integração entre visão e movimento, a terapia visual pode contribuir com o equilíbrio, a orientação espacial e a coordenação global e fina. Reabilitação pós-trauma: em casos de acidentes ou lesões neurológicas, a optometria comportamental pode ser uma aliada na recuperação da função visual. Leia também: Equipamentos de optometria: o que é essencial no seu consultório? Quem pode se beneficiar? A optometria comportamental é indicada para crianças, adolescentes e adultos que apresentam: Dificuldade para ler, copiar ou escrever; Baixo rendimento escolar, mesmo com boa acuidade visual; Queixas de cansaço visual, dores de cabeça e perda de foco; Problemas de atenção ou hiperatividade; Dificuldade em esportes que exigem coordenação e tempo de reação; Histórico de traumatismo craniano ou AVC. Mais do que ver bem, é preciso usar bem a visão. A optometria comportamental oferece uma abordagem mais ampla e personalizada, tratando a visão como uma habilidade que pode ser desenvolvida, aprimorada e reabilitada. Ao considerar o paciente de forma integral, ela contribui significativamente para o bem-estar, a aprendizagem, a produtividade e a qualidade de vida. Se você ou alguém próximo enfrenta dificuldades relacionadas à leitura, concentração ou desempenho visual, procure um optometrista com formação em optometria comportamental e descubra como essa abordagem pode transformar a forma de enxergar — e interagir — com o mundo.
Portaria CVS 6/2025: regras para estabelecimentos com optometristas
Publicada em 25 de maio de 2025 pelo Centro de Vigilância Sanitária do estado de São Paulo, a Portaria CVS 6/2025 traz regras para os estabelecimentos que oferecem atendimentos realizados por optometristas de nível superior. A norma entrou em vigor na data de sua publicação. Entenda esta nova portaria. Regras da Portaria CVS 6/2025 A Portaria CVS 6/2025 esclarece os requisitos mínimos para o funcionamento de estabelecimentos com atendimento optométrico no estado de São Paulo. A medida reconhece e regulamenta, no âmbito sanitário, a prática do optometrista como profissional da área da saúde, autorizando o exercício da atividade dentro de ambientes próprios, desde que estejam adequadamente regularizados. A portaria detalha os seguintes aspectos: Licenciamento sanitário: o estabelecimento deve ser licenciado pelos serviços da vigilância sanitária competente, conforme já disposto na Portaria CVS 1/24; Profissionais: os optometristas devem ter formação superior com certificado emitido por entidade educacional reconhecida pelo Ministério de Educação e Cultura (MEC); Comunicação: o estabelecimento deve exibir um cartaz em local visível ao público informando que o atendimento é realizado por profissional não médico com formação em Optometria de nível superior; Estrutura física mínima dos consultórios: sala de exame com dimensões ideais para acomodar adequadamente os equipamentos e o mobiliário, área de recepção, sanitário e pia; Equipamentos: devem ser regularizados pela Anvisa e manter bom funcionamento. Responsabilidades do optometrista com os pacientes Segundo o artigo 6º da Portaria CVS 6/2025, o profissional optometrista deve entregar receita prescrita ao fim do atendimento, sem qualquer tipo de condicionante para a aquisição de outro produto ou outro serviço óptico, além de informar que se trata de um documento de titularidade do paciente. O optometrista também deve manter um registro atualizado dos pacientes em local de fácil acesso. O registro pode ser requisitado durante o da fiscalização sanitária. Objetivos da Portaria CVS 6/2025 O objetivo central da portaria é promover a segurança do paciente, a qualidade dos atendimentos optométricos e a conformidade sanitária dos consultórios no estado de São Paulo. Ao estabelecer critérios, a norma fortalece a atuação profissional do optometrista, combatendo práticas irregulares e promovendo maior credibilidade à categoria. Seguir suas diretrizes é essencial para garantir o funcionamento legal do consultório e a integridade do serviço prestado. A não conformidade pode acarretar desde autuações e interdições até sanções administrativas mais graves, além de prejudicar a imagem profissional perante pacientes e órgãos reguladores. Confira o texto completo da Portaria CVS 6/2025 aqui. E continue acompanhando o CROOSP para se manter atualizado no mundo da Optometria.
